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| Pesquisa indica que veredas e campos úmidos do Cerrado armazenam cerca de 1.200 toneladas de carbono por hectare. Foto: © Rafael Oliveira/Unicamp |
Um novo estudo científico lança luz sobre um aliado climático ainda pouco reconhecido: o Cerrado. Pesquisa publicada na revista New Phytologist aponta que áreas úmidas do bioma, como veredas e campos úmidos, podem armazenar até seis vezes mais carbono por hectare do que a média registrada na Amazônia.
O trabalho, liderado pela pesquisadora Larissa Verona e desenvolvido em parceria com instituições do Brasil, Estados Unidos e Alemanha, apresenta a primeira análise aprofundada dos estoques de carbono no solo dessas áreas. Para chegar aos resultados, os cientistas coletaram amostras em profundidades de até quatro metros — um avanço em relação a estudos anteriores, que analisavam apenas as camadas superficiais do solo.
Resultados
A investigação revelou que essas formações naturais podem acumular cerca de 1.200 toneladas métricas de carbono por hectare. Grande parte desse material orgânico é extremamente antigo: testes de datação indicam que o carbono presente nos solos pode ter, em média, 11 mil anos, com registros que ultrapassam 20 mil anos.
Esse armazenamento ocorre graças às condições específicas das veredas e campos úmidos. A alta umidade reduz a presença de oxigênio no solo e desacelera a decomposição da matéria orgânica, permitindo que o carbono se acumule lentamente ao longo de milhares de anos.
Apesar de sua relevância climática, esse estoque natural de carbono ainda costuma ficar fora das estimativas globais de emissões e remoções de gases de efeito estufa. Segundo os pesquisadores, isso acontece porque, até recentemente, a dimensão desse reservatório subterrâneo era desconhecida.
Riscos
O estudo também alerta para os riscos associados às mudanças no uso do solo. A expansão agrícola, a drenagem de áreas úmidas e a retirada de água para irrigação podem secar esses ambientes, acelerando a decomposição da matéria orgânica e liberando grandes quantidades de dióxido de carbono e metano na atmosfera.
O Cerrado, que ocupa cerca de um quarto do território brasileiro e abriga as nascentes de importantes bacias hidrográficas, enfrenta pressão crescente da conversão de áreas naturais para produção agropecuária. Para os autores da pesquisa, ampliar a proteção das áreas úmidas do bioma é uma medida estratégica não apenas para a biodiversidade, mas também para o equilíbrio climático global.
O recado da ciência é claro: preservar o Cerrado significa manter intacto um dos maiores cofres naturais de carbono do planeta. 🌱🌍
*Fonte: Revista científica New Phytologist
