Espaço sustentável exige cooperação, diz executiva da Claro

Primeira mulher na diretoria da SDA, Érika Rosetto defende cooperação global para preservar o espaço e ampliar a liderança feminina no setor. Foto: Divulgação Web Summit Rio

 Por Luciana Bezerra

A sustentabilidade espacial e a liderança feminina em áreas de alta tecnologia ganharam destaque no Web Summit Rio 2026. Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (10), Érika Rosetto, gerente de Flight Dynamics da Claro e diretora da Space Data Association (SDA), alertou para a necessidade de ampliar a cooperação entre operadores de satélites diante do crescimento acelerado da atividade espacial.

Responsável pela gestão orbital dos satélites da Claro, Rosetto explicou que a empresa adota procedimentos rigorosos para minimizar riscos de colisões e contribuir para a preservação das órbitas terrestres. 

“Nossa atuação é sempre preventiva. Qualquer atividade realizada com os satélites considera potenciais riscos, e trabalhamos de forma proativa para garantir a segurança das operações”, afirmou.

Cooperação para evitar o aumento do lixo espacial

A executiva destacou que o principal desafio atual é garantir que o espaço continue sendo utilizado de forma sustentável. Segundo ela, o avanço das megaconstelações de satélites, lideradas por empresas como a SpaceX, trouxe ganhos tecnológicos importantes, mas também aumentou a preocupação com a ocupação das órbitas.

“Atualmente, mais de dois terços dos satélites em operação pertencem à constelação Starlink. A inovação é positiva para o setor, mas precisamos de mais cooperação entre os operadores para evitar riscos e garantir a sustentabilidade espacial”, ressaltou.

Rosetto explicou que a SDA reúne cerca de 30 operadores de satélites e atua justamente para promover o compartilhamento de informações e ações coordenadas entre empresas e instituições do setor. 

“Não basta disponibilizar dados. O trabalho precisa ser colaborativo para que possamos atuar de forma preventiva e não apenas reagir aos riscos”, destacou.

Desafio da representatividade feminina

Única mulher a integrar a diretoria da SDA em mais de 15 anos de existência da organização, Rosetto também abordou a baixa participação feminina no setor espacial. Para ela, a desigualdade começa muito antes da entrada no mercado de trabalho.

“Existe uma questão estrutural. Desde a infância, muitas meninas não são incentivadas a imaginar uma carreira científica ou tecnológica. Isso se reflete na baixa representatividade que vemos hoje”, afirmou.

A executiva compartilhou experiências que ilustram os desafios enfrentados por mulheres em ambientes predominantemente masculinos. 

“Muitas vezes, não basta ocupar o espaço. Precisamos provar constantemente que somos tão capazes quanto os nossos colegas”, disse.

Ela também destacou iniciativas da Claro voltadas ao aumento da participação feminina em áreas técnicas e de liderança, incluindo programas de formação profissional para estudantes do ensino médio no Rio de Janeiro.

Ao explicar a presença da pauta espacial no Web Summit Rio 2026, Rosetto afirmou que a iniciativa busca aproximar a sociedade de um setor estratégico para o futuro da conectividade e da inovação. 

“É uma oportunidade para mostrar que existe ciência sendo desenvolvida no Brasil, que há profissionais altamente qualificados atuando nessa área e que o setor espacial oferece oportunidades para as novas gerações”, concluiu.

*Conectaeco especial do Rio de Janeiro

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