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| O trabalho envolve atualmente 69 pesquisadores, mais de 200 comunitários e representantes de 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais. Fotos: Milena Barbosa e Maria Vicenza |
Redação Conectaeco
As marcas deixadas pelas secas extremas dos últimos anos na Amazônia continuam visíveis nos lagos da região. Em resposta a esse cenário, pesquisadores e comunidades tradicionais estão unindo conhecimento científico e saberes locais para acompanhar os efeitos das mudanças climáticas em cinco importantes corpos d’água da floresta.
A iniciativa faz parte do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, coordenado pelo Instituto Mamirauá, que desde 2025 mobiliza moradores, instituições de pesquisa e gestores públicos para monitorar as transformações ambientais em lagos localizados nos estados do Amazonas e do Pará. O trabalho envolve atualmente 69 pesquisadores, mais de 200 comunitários e representantes de 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais.
Entre os lagos acompanhados está o Lago de Tefé, que ganhou notoriedade internacional após a seca histórica de 2023 provocar a morte de centenas de botos. Também integram a rede de monitoramento os lagos de Coari, Janauacá, Serpa e Grande de Monte Alegre.
Segundo a pesquisadora do Instituto Mamirauá e coordenadora das oficinas do projeto, Heloísa Pereira, a proposta é aproximar a ciência da experiência cotidiana das populações amazônicas.
“A meta principal foi identificar percepções sobre mudanças ambientais, desafios relacionados ao saneamento, uso da água, recursos naturais e condições de vida, além de fortalecer o engajamento comunitário nas etapas iniciais do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia”, afirmou.
Monitoramento em campo
Nos últimos meses, o projeto avançou na instalação de infraestrutura para coleta de dados ambientais. Cinco estações meteorológicas já estão em operação, quatro no Amazonas e uma no Pará, registrando informações como temperatura, umidade do ar, velocidade dos ventos, radiação solar e volume de chuvas.
Voz das comunidades
No Lago de Tefé, o morador Ediney, da comunidade São Raimundo de Cima, relatou o impacto da estiagem recente sobre a vida local.
“Esses anos que morei aqui, o lago seca, mas nunca tinha ficado como ficou no ano passado. Então isso pra mim não foi motivo nem de alegria, foi de tristeza de ver tantos peixes morrendo”, contou.
Ciência e conhecimento tradicional
“As oficinas tiveram um forte envolvimento dos comunitários. A preocupação das lideranças comunitárias do Lago de Tefé sobre a crise ambiental atual é bastante clara, e ressalta a relevância do nosso projeto em construir junto a eles propostas de soluções concretas para os desafios vigentes”, destacou Ayan Fleischmann, pesquisador do Instituto Mamirauá e coordenador do projeto.
*Com informações da Assessoria de Imprensa


