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| Entre clientes fiéis e novos visitantes, a Betz Chocolates atende cerca de 40 pessoas por feira e já chegou a vender mais de 40 barras artesanais em um único sábado. Fotos: Luciana Bezerra |
Por Luciana Bezerra
O sábado começou como tantos outros em Brasília: céu aberto, calor leve e corredores movimentados na feira da Ceasa-DF. Entre bancas de frutas frescas, temperos, flores e produtores locais, uma pequena barraca chama atenção não apenas pelo aroma de chocolate, mas pela história por trás de cada barra vendida ali.
Foi em meio ao vai e vem de clientes que o fundador da Betz Chocolates, Luís Otávio Zuliani Stroppa, 53 anos, recebeu o ConectaEco para contar como um sonho familiar, nascido em São Paulo, encontrou espaço para crescer no Distrito Federal.
Ele é um dos 530 expositores que dividem o espaço em um dos oito pavilhões da Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF), no Trecho 10 do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).
Funcionário do Banco do Brasil, Luís divide a rotina entre o trabalho formal e a produção artesanal de chocolates. A marca surgiu em 2018, em Santa Bárbara do Oeste (SP), ao lado do irmão Walter Luís Zuliani Stroppa, engenheiro químico com mestrado e doutorado em desenvolvimento de produtos alimentícios.
“Quando meu irmão perdeu o emprego, pensamos: por que não transformar conhecimento e paixão em negócio?”, relembra.
Na época, Walter comandava a produção no interior paulista, enquanto Luís vendia os chocolates no DF. O cenário mudou em 2025, quando a fábrica foi transferida para Sobradinho, onde a produção passou a ser feita localmente. Antes disso, Luís já havia iniciado a trajetória presencial na Ceasa, em março de 2024.
Hoje, a Betz funciona em pequena escala, com apenas uma funcionária auxiliando na produção. Ainda assim, a proposta da marca é clara: apostar em ingredientes de qualidade e em receitas autorais que fogem do convencional.
As opções vão do tradicional chocolate ao leite aos sabores mais inusitados, como chocolate amargo zero açúcar com gengibre e hibisco, versões com café, damasco, casca de laranja, veganas e o chamado chocolate “Dubai”, recheado com pistache — um dos mais procurados na barraca.
Enquanto conversávamos, clientes chegavam, provavam, perguntavam e compravam. Alguns já conheciam a marca pelo nome. Outros paravam pela curiosidade.
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| Entre uma caminhada pela feira e outra, Lilian Cury descobriu novos sabores na barraca da Betz Chocolates. |
Foi o caso da família Cury, que decidiu experimentar as trufas recheadas de pistache durante a entrevista.
“Foi uma surpresa. Paramos despretensiosamente aqui, provamos o chocolate de Dubai e adoramos”, contou a matriarca da família Cury.
Já a psicóloga Gabriela Vale, 37 anos, diz que virou cliente fiel.
“Adoro os chocolates da Betz porque sei que estou comprando um produto de qualidade e ajudando um pequeno produtor artesanal. Os produtos são deliciosos e todos os sábados estou aqui”, afirma.
Confesso: também não resisti e garanti minha barra de chocolate amargo 70% cacau com damasco e casca de laranja.
Segundo Luís, cerca de 40 pessoas costumam passar pela barraca a cada feira, muitas delas clientes recorrentes. Em dias bons, as vendas ultrapassam 40 barras de chocolate.
Mesmo assim, ele admite que o faturamento ainda está longe do ideal.
“Os ingredientes de qualidade são caros e a produção ainda é pequena. Hoje, o chocolate não é minha principal fonte de renda. Meu emprego no banco ajuda a manter tudo funcionando”, explica.
As vendas acontecem principalmente de forma presencial, mas o WhatsApp estampado nas embalagens acabou criando uma clientela fiel. Muitos consumidores experimentam os produtos na feira e depois fazem novos pedidos diretamente com o produtor.
Além dos chocolates, a marca também desenvolve as próprias embalagens e personaliza os chocolates para festas, brindes corporativos e eventos.
Os preços variam conforme o tipo e o tamanho do produto. As barras de 120 gramas de chocolate amargo 70% custam R$ 30, enquanto as versões zero açúcar chegam a R$ 35. Também há opções menores a partir de R$ 4.
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| Luís Otávio Zuliani Stroppa com a barraca da Betz na Feria do Ceasa, em Brasília. |
Mas, para Luís, o maior retorno não está apenas nas vendas.
“Eu não quero desistir. É muito gostoso estar aqui em contato com as pessoas, contar minha história e a história do chocolate. Isso me deixa feliz e tem sido minha maior motivação”, diz.
Em tempos em que o consumo consciente ganha força e pequenos produtores buscam espaço em meio à produção industrial em larga escala, histórias como a da Betz revelam um movimento que vai além do alimento: o resgate do artesanal, do afeto e das conexões humanas.
Sobre a marca
O nome Betz Chocolates carrega uma homenagem afetiva. A marca foi inspirada em dona Bete, mãe de Luís e Walter, que vive em Marília, no interior de São Paulo.
Professora aposentada, ela ajudou a criar os três filhos ao lado do marido com muito esforço e dedicação. Antes de se formar, saiu da roça para estudar na cidade, pegava carona em caminhões de leite e trabalhou como doméstica em troca de hospedagem.
Segundo Luís, foi dela que veio a principal lição levada para dentro da fábrica.
“Ela ensinou os filhos a temperar tudo na vida com amor. É isso que tentamos colocar nos chocolates: proporcionar uma experiência afetiva para quem prova.”
Fonte: material produzido originalmente pelo ConectaEco
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