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| O projeto Pedagogia da Floresta fortalece uma educação ambiental conectada ao território, à cultura local e à vida comunitária. Fotos: Raquel Bastos / Casa do Rio |
Por Luciana Bezerra
No coração da Amazônia, onde rios desenham caminhos e a floresta faz parte da rotina das famílias ribeirinhas, uma escola pública vem mostrando que educação ambiental também se constrói a partir do território, da cultura e dos saberes tradicionais. Na comunidade Igapó-Açu, no município de Manicoré (AM), a aprendizagem ultrapassa os limites da sala de aula e ganha vida entre árvores, brincadeiras, histórias e experiências compartilhadas pela comunidade.
Foi nesse cenário que a Casa do Rio realizou, em abril, a segunda edição da formação Pedagogia da Floresta, iniciativa financiada pela Katia Francesconi Foundation. O projeto reuniu professores, gestores escolares, auxiliares, merendeiras e moradores da comunidade para fortalecer práticas pedagógicas conectadas ao território e aos saberes tradicionais amazônicos.
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| Entre árvores, rios e memórias ancestrais, uma escola amazônica vem reinventando o jeito de aprender. |
Diferente de modelos educacionais que tratam natureza e escola como universos separados, a proposta desenvolvida em Igapó-Açu parte justamente da integração entre conhecimento acadêmico e vida comunitária. A floresta passa a ocupar um papel central no processo de aprendizagem, transformando experiências cotidianas em ferramentas educativas.
Floresta também ensina
A iniciativa acontece dentro da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental da comunidade, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Igapó-Açu, às margens da BR-319, a cerca de 260 quilômetros de Manaus. O espaço escolar já mantém relação próxima com a proposta desde 2017, quando a Casa do Rio contribuiu para a construção da escola pensando uma estrutura alinhada à realidade local e aos modos de vida amazônicos.
Nesta nova etapa, o projeto aprofundou o trabalho dentro da própria comunidade escolar. Durante três dias, os participantes vivenciaram atividades que combinaram práticas artísticas, teatro, memória afetiva, brincadeiras tradicionais, corporalidade e discussões sobre identidade e pertencimento na Amazônia.
Entre as metodologias aplicadas estavam exercícios inspirados no Teatro do Oprimido e na chamada Pedagogia da Onça Pintada, além de dinâmicas que estimularam uma leitura mais sensível da relação entre corpo, território e natureza. As atividades foram conduzidas por consultoras com atuação nas áreas de educação, arte e cultura amazônica.
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| Educadores e comunidade fortalecem práticas pedagógicas ligadas aos saberes tradicionais da Amazônia. |
O projeto também trouxe para o centro da discussão elementos muitas vezes ignorados em processos educacionais tradicionais, como alimentação, cuidado coletivo e cultura alimentar regional. A programação incluiu atividades voltadas ao preparo de alimentos produzidos localmente e sem uso de agrotóxicos, reforçando a importância das merendeiras e de toda a equipe escolar na formação das crianças.
Formação pedagógica
Outro aspecto valorizado pela formação foi o papel das brincadeiras na construção do aprendizado. Em Igapó-Açu, remar, subir em árvores, reconhecer plantas, brincar no rio e observar os ciclos da floresta fazem parte do desenvolvimento infantil e ajudam a criar vínculos profundos com o território.
Mais do que uma capacitação pedagógica, a formação buscou fortalecer uma visão de educação ambiental construída a partir da escuta da comunidade e da valorização dos conhecimentos tradicionais. Em vez de adaptar a floresta à lógica escolar convencional, o projeto propõe o movimento inverso: aproximar a escola dos ritmos, saberes e modos de vida da Amazônia.
O resultado é uma experiência que transforma o território em sala de aula viva e coloca a preservação ambiental como prática cotidiana, conectada à cultura, à memória e às futuras gerações da comunidade.
*Fonte: Com informações da Assessoria de Imprensa
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