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| Lançamento do projeto Recriando Futuros reuniu artesanato, desfile e histórias de transformação. Foto: Divulgação Enedes |
Por Luciana Bezerra
Materiais recicláveis, criatividade e vontade de transformar realidades se encontram no Recriando Futuros, projeto da Cia do Lacre, com patrocínio do Instituto Lojas Renner, que vai capacitar gratuitamente 120 mulheres do Distrito Federal e do Entorno em moda circular e empreendedorismo. O lançamento, realizado em 20 de outubro, no IFB Campus Brasília, reuniu cerca de 102 pessoas em uma celebração do fazer artesanal, da economia circular e da potência criativa feminina. A Cia do Lacre foi a única representante do DF entre as oito iniciativas selecionadas pelo Instituto em todo o Brasil, em um universo de 700 propostas.
A moda ganhou movimento no desfile de peças produzidas pelas artesãs e artesãos da Cia do Lacre, apresentadas por oito modelos da Scouting Agência e Escola de Modelos. Cada criação mostrou como materiais que poderiam ser descartados podem ganhar novas formas, histórias e valor. No espaço de coworking da Escola de Negócios e Desenvolvimento Social (Enedes), uma exposição aproximou o público do trabalho de seis criadores do DF, ampliando o olhar sobre a diversidade do artesanato e da produção autoral local.
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| Peças produzidas pela equipe de criadores da Cia do Lacre. Foto: Divulgação Enedes. |
Mas a passarela não foi o único lugar de destaque. O lançamento também abriu espaço para histórias que não cabem em uma etiqueta. A convite de Chica Rosa, presidente da Cia do Lacre, as artesãs Selma Santos e Lucilene Sousa compartilharam experiências sobre as mudanças que o trabalho na instituição trouxe para suas vidas. Foi um momento de reconhecer que, por trás de cada peça, existem trajetórias, aprendizados e mulheres que encontram no artesanato novas possibilidades de expressão e autonomia.
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| Artesãs Selma Santos, à esquerda, Chica Rosa e Lucilene Sousa, à direita. Foto: Divulgação Enedes |
“O Recriando Futuros é uma oportunidade para que as mulheres desenvolvam ainda mais sua criatividade, troquem experiências, criem e transformem suas vidas. Queremos contribuir para que tenham mais oportunidades de gerar renda e fortalecer suas famílias”, destaca Chica Rosa, que há décadas transforma lacres de alumínio e outros materiais em peças artesanais e oportunidades para mulheres.
Autonomia feminina
A conversa sobre transformação também chegou ao empreendedorismo. Em uma mesa-redonda, o público debateu os desafios enfrentados por mulheres em situação de vulnerabilidade social e o papel dos negócios na construção da autonomia financeira. Para que uma ideia criativa se transforme em fonte de renda, talento e vontade precisam caminhar junto com planejamento, organização e acesso ao mercado.
De acordo com a coordenadora-geral da Enedes, Carla Simone Castro, é nesse encontro entre criação e gestão que a Escola de Negócios do IFB atua como parceira da iniciativa.
“A Enedes nasce para ser essa ponte entre os nano e microempreendedores, o setor produtivo e o mercado consumidor”, afirma a gestora.
Carla enfatiza ainda que a proposta é apoiar pequenos negócios na estruturação de seus modelos, na precificação e na organização da produção — etapas fundamentais para que o trabalho artesanal conquiste espaço e sustentabilidade financeira.
Para Flavia Amadeu, designer, doutora em moda sustentável e coordenadora do Recriando Futuros, a realização do lançamento foi resultado de uma rede de colaboração que abraçou a iniciativa.
“Foi muito inspirador contar com a presença de tantas parceiras e tantos parceiros. Agradecemos especialmente ao Instituto Lojas Renner, ao IFB e à Enedes, que abraçaram o projeto e trabalharam conosco para tornar esse lançamento possível”, ressalta Flavia.
Mais do que apresentar um projeto, o encontro sinalizou o início de uma jornada coletiva. Ao aproximar artesãs, criadores, instituições e público, o Recriando Futuros coloca a moda circular em uma perspectiva que vai além da estética: a de prolongar a vida dos materiais, valorizar saberes e criar caminhos para que mais mulheres transformem habilidades em oportunidades.
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| Equipe de criadores da Cia do Lacre durante a exposição de lançamento do projeto. Foto: Divulgação Enedes. |
Oficinas já começaram
As atividades formativas começaram em 22 de outubro e seguem até maio de 2027, com encontros às terças e quintas-feiras, no período da tarde, no espaço da Cia do Lacre, no Museu Vivo da Memória Candanga. A formação combina moda circular, reaproveitamento têxtil, criação artesanal e empreendedorismo, com foco no desenvolvimento de habilidades e na geração de renda.
O encerramento está previsto para maio de 2027, com desfile, exposição, rodas de conversa e comercialização das peças produzidas ao longo do projeto. A programação também celebrará os 30 anos da Cia do Lacre, reforçando uma trajetória em que o artesanato se conecta à sustentabilidade, à valorização das mulheres e à transformação social.
Fonte: Conteúdo produzido originalmente pelo ConectaEco



